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quinta-feira, 27 de julho de 2017

Se


 christian sholoe

Se não te ouvisse
os corais não falavam das cores
que migram na tatuagem dos segredos

Se não te ouvisse
o nevoeiro não exalava a voz
no gemido da cegueira
dos rebentos por nascer.

Escutando,
falo com os corais que não vejo
e os segredos que esqueci.
Por entre a neblina
escuto o cheiro das roseiras
grávidas de flores e espinhos.

Agora
deixa-me escutar o cheiro das magnólias
no artificio das flores brancas
no bocejo da primavera.

Manuela Barroso





sábado, 22 de julho de 2017

Queria chamar-te


 catrin welz-stein

Queria chamar-te saudade
mas o eco não cabe no meu peito
Queria chamar-te sonho
mas morre no despertar de cada aurora
Queria chamar-te alegria
mas foge em cada assomar do dia
Queria chamar-te tristeza
mas morre na memória do teu sorriso
Queria chamar-te calor
mas foge-me em tuas mãos tão frias
Queria pronunciar o teu nome
mas habitas o espaço que me foge
Queria chamar-te luz
mas escondes-te nas portas da noite
Queria chamar-te adolescência
mas esfuma-se com o desejo
Queria chamar-te fogo
mas apagou-se com a neve.

Chamas -me miragem
mas ruiu com os sulcos da viagem

Volto a chamar-te saudade.

É isso com deparo
em cada paragem.



Manuela Barroso





domingo, 2 de julho de 2017

Neste Canto...


Neste canto aconchego o meu sossego.
Não me despertes da luz que circunda o
meu sopro.
Não interrompas o meu sono.
Na metáfora dos meus olhos, tudo vejo
e sinto e quero, enquanto a vida
se passeia sob a minha pele como 
é seu desejo.
Se for tarde, que arrefeça sua pressa
.
Neste momento
quero o equilíbrio do tempo nesta calma
que busco sempre em movimento.


Manuela Barroso

Julho, 2017