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domingo, 15 de janeiro de 2017

Manhã


Acordou a manhã com os recortes distantes
do cinzel dos abetos.
nem um cão vadio mastigava o orvalho,
nem o cheiro do pólen ruminava as sombras escondidas
nas portas da aurora
mas tudo se calava num mutismo vagabundo,
num amarelo corroído pelo tempo.

o vento permanecia enjaulado
em grades sinistras
em ausências indecisas.
os ecos persistentes da manhã 
insistiam acordar a alegria que longa no vale ,

ainda dormia

Manuela Barroso, Eu Poético Vll


terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Cai Neve

 imagem da net
Cai neve!
não digas que é mau tempo
porque
beijos de água em flocos
que pousam
tão mansamente
numa leveza dormente
traz a paz ao pensamento!
E o branco em arrepio
que enfeita a Natureza
com este ar seco e frio
e lhe empresta esta beleza,
também
é  cor de pureza.
Ah!
Não digas
que é mau tempo!
Deixa florir a neve
assim,
derretendo-se
em meu peito,
criando sulcos
em mim!
E,
deixa que as árvores pinguem
com o branco
que elas têm!
São as cores
com que se tingem!
Que se enfeitem
elas também!

  Manuela Barroso, in  "Eu Poético III"




sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Feliz 2017


PAZ

Tu és a Catedral que dorme
em cada coração solitário
na ânsia de te encontrar,
neste estreito caminho do silêncio,
esmagado pelo crepitar implacável
do fumo das artérias aturdidas
pelos abismos de agulhas em flecha.

És a mãe sentada no trono
dos meus minutos solitários,
vigiando as flores na tarde dos meus dias
nas pétalas diagonais dos meus segredos.

 Envolve com o ouro da tua luz
 o  teu manto de harmonia.
Que os Homens respirem a alegria,
 e entoem a melodia
de um Feliz Ano Novo
cada dia!

Manuela Barroso, in "Inquietudes"   (adaptado)


                                                            FELIZ ANO NOVO!






A todos  endereço os meus melhores votos de um FELIZ ANO NOVO, onde se realizem todos os vossos anseios.
Que o Universo permita nova viagem, neste Novo Ano!

Obrigada pela vossa presença, companhia, carinho e delicadeza, nas palavras  tão generosas.

Terno e grande abraço!

Manuela Barroso



 BONNE ANNÈE!
BISOUS!

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Natal-2016





Hoje a saudade bateu à minha porta.
Peguei na criança que eu fui e embalei-a no pensamento das minhas memórias repletas de recordações...
...Eram dias frios e húmidos nas terras do Gerês.
A noite era o breu que cobria a aldeia entrecortada de pinheiros e eucaliptos.
O peito enchia-se do aroma purificador do pinho ácido enquanto a manhã crescia com a azáfama do Natal. Os adultos trocavam conversas sérias, feitas de doces e da ceia.
Mas... e o presépio?
Isso era com as crianças...
Então, descia os caminhos toscos, serpenteados por entre os pinhais que levavam ao rio.
As pedras penduravam-se verdes e viçosas. E eu colhia as pastas de musgo da face dos rochedos, deitados por entre os pinheirais.
...E nascia um presépio com cheiro a pinho, a musgo, a verdade...
Não tinha piscas de luzes  mas um único ponto fixo luminoso, recordando a mensagem de Belém.
...Nasceu um Menino que iria desinquietar os bem instalados na Terra.
...E a mesa crescia com a alegria da festa, e da festa dos sabores.
Meia noite.
O sapato mais bonito para o Menino Jesus! Era uma presença especial, pois claro!..
...E lá ia deitar-me vendo bem a posição do sapato, não fosse Ele esquecer-se...
Adormecia com o sapato e a ansiedade
...E mal nascia o dia, corria para a chaminé, pendurando a surpresa no coração...
...O Menino lembrara-se de..mim e a alegria era do tamanho da felicidade daquele instante!..



Hoje também recebo presentes...
...Mas não ponho o sapatinho!..
Hoje também ofereço presentes...
...Mas não são para pôr no sapatinho... mas para o " pinheirinho" entupido de embrulhos e laços pretenciosos...
...E parece que a festa começa aqui...com as crianças histéricas a rasgar papéis e laços ...continuando...a abrir presentes agora já entediadas...acabando por lançar neles um olhar absorto, mudo, fundo!

Perco-me em mim. Agora, não na saudade, mas nas perguntas que borbulham na alma como lava num vulcão!..
...E as respostas saem luminosas e quentes...
...Ora me queimam, inquietando-me...
...Ora me inquetam, queimando-me ainda mais!
...Ah! O meu Natal
...O meu sapatinho
...O meu Menino Jesus!
...
(reeditado)

FELIZ NATAL PARA TODOS!

Manuela Barroso



Nasceu um Menino que iria desinquietar os bem instalados na Terra.



quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Quando









Quando te roubarem o sol da boca
 e escurecer a água da memória,
 mantem o olhar na dança dos limos
que na transparência da corrente,
não revelam
 nem melancolia,
nem rotina,
nem a sua aparente fragilidade.
Entre os seixos  eles acariciam as cataratas,
libertam a delicadeza da cor
e permanecem na alegria
do ímpeto da espuma nas fragas.

 Que não amoleçam as folhas.
Mesmo que as tragas.
                                                  

                                            Manuela Barroso