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quinta-feira, 27 de julho de 2017

Se


 christian sholoe

Se não te ouvisse
os corais não falavam das cores
que migram na tatuagem dos segredos

Se não te ouvisse
o nevoeiro não exalava a voz
no gemido da cegueira
dos rebentos por nascer.

Escutando,
falo com os corais que não vejo
e os segredos que esqueci.
Por entre a neblina
escuto o cheiro das roseiras
grávidas de flores e espinhos.

Agora
deixa-me escutar o cheiro das magnólias
no artificio das flores brancas
no bocejo da primavera.

Manuela Barroso





8 comentários:

Emília Pinto disse...

Tudo muda a cada instante, umas coisas desaparecem, outras nascem, numa sequência que só a natureza consegue explicar; estes desaparecimentos entendemos e aceitamos, mas custa-nos muito a aceitar que se vão aqueles que amamos e que um dia seremos nós a deixar aqueles que nos querem bem; fica uma dor tremenda e uma pergunta que não tem resposta; tem que ser assim, porquê? Tem que ser e pronto! Chamamos o passado tantas vezes, chamamos os nossos queridos, pedimos que voltem os momentos passados juntos, momentos muitas vezes dolorosos, mas confortados por abraços cheios de amor; nada volta, mas, se eles nos ouvissem? Como seria bom! Nunca o saberemos, creio! Vamo-los sentindo no perfume das " magnolias, no cheiro das roseiras, nos gemidos dos rebentos por nascer " e assim vamos falando, escutando até que a dor se atenue e fique a eterna saudade. Neste " Queria chamar-te" expressas com uma grande beleza a dor e a saudade que te enchem o coração e, acreditando que ela te ouve, ficará orgulhosa das belas homenagens que lhe tens feito. É muito reconfortante acreditarmos que somos ouvidos e por isso, aproveitemos bem o silêncio para que nada perturbe a comunhão que devemos ter com os nossos ausentes. Sei que é muito pouco, Manuela, mas é o melhor que tenho para dar, um abraço forte e a minha sincera amizade
Emilia

Agostinho disse...

Num tom claro a poesia oferece-nos percepções de delicada beleza.
Se, se... a intermediação na exaltação dos sentidos é pedra de toque na construção onírica e é fundamental a escuta, para que suceda o espaço é o tempo. Nossos. Agora. Em todos os agora da vida.

Bj.

Toninho disse...

Encantos de todos os cantos solfejados pela Primavera.
Lindo de ler nesta riqueza elegante das figuras.
Abraços e bom fim de semana amiga.
Bjs de paz.

Maria Rodrigues disse...

Maravilhoso poema.
Bom fim de semana
Beijinhos
Maria de
Divagar Sobre Tudo um Pouco

Mar Arável disse...

Nada é perfeitamente inútil

© Piedade Araújo Sol disse...

um poema cheio de sentires e olfactos onde os cheiros trazem memórias...

muito belo!

:)

Majo Dutra Rosado disse...

Magnifico tributo à beleza destes dias em que a natureza nos delicia com com a sua vitalidade e inebriante encanto.
Beijos, querida Manuela.
~~~

Ana Freire disse...

Palavras plenas de aromas... e sentires profundos...
Como sempre, um trabalho excepcional... para apreciar e reapreciar, Manuela!...
Um beijinho grande! Peço desculpa pela minha ausência... uns probleminhas de saúde da minha mãe, nas últimas semanas, têm condicionado bastante o meu tempo, aqui na Net... também ainda nas próximas semanas, certamente... mesmo não sendo nada de grave... mas obriga a um acompanhamento constante... por causa de medicação que obrigatoriamente toma... e que por vezes se revela incompatível, com outros antibióticos, para outros fins...
Ana