SEGUIDORES

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Sons





Meus ouvidos pousam na paisagem dos meus olhos.
Os sons longínquos, os murmúrios inaudíveis
escrevem memórias esquecidas no tempo.
Desperto com este balbuciar de vozes escritas
no inconsciente
que desenham hoje aguarelas musicais
e ecoam no espaço de mim ,
no leito da minha pauta!

Neste rosário de sons,
ouço a minha paisagem com notas difusas
e que o tempo não apagou.
Continuam numa vibração contínua,
incessante,
numa sonata, só inteiramente
decifrável por mim.

E os olhos percorrem a paisagem
que os ouvidos escreveram,
fixando-se no vazio 
à procura dos sons,
que passeiam pelo espaço,
indefinidamente...


Manuela Barroso, in “Eu PoéticoVll”

                                                                            
                                             LIVRO A FAVOR DAS CRIANÇAS DE ALEPO

                                                                     ATRAVÉS DA UNICEF                 
                                                          ( Colaboração de vários autores)


ADQUIRIR O LIVRO

Dados para compra do livro “Cinco Lágrimas por Alepo” e envio por correio

a) Valor a transferir €13 (custo do livro €10 + correio €3)
b) Fazer a transferência para IBAN: PT50 0269 0346 00206260932 04;
c) Enviar-me o comprovativo por correio electrónico (agc@dep.uminho.pt) ou por mensagem, indicando o titular da conta de onde foi pago
d) Enviar a morada completa para envio por e-mail ou mensagem.
Obrigado.



17 comentários:

Rui Pires - Olhar d'Ouro disse...

Poema maravilhoso.
Uma delicada "sinfonia" de palavras!
1 bj

Gracita disse...

Bom dia Manuela
Lindo voo poético minha amiga. Os sons, os aromas e as texturas perpassam tuas linhas poéticas e nos envolvem com seu manto de sensibilidade e magia desta fascinante poesia
Um lindo dia minha querida
Beijos

Majo Dutra disse...

Muito belo este poema que nos fala do «rosário de sons» em que «ouve a sua paisagem com notas difusas»...
Só agora reparei no donativo para as crianças de Aleppo... fácil de executar...
Dias felizes, Manuela.
Beijinhos.
~~~~~~

Olinda Melo disse...


Memorizar os sons que vêm da noite dos tempos
e tê-los presentes na hora em que o sofrimento
nos revisita a nós e aos nossos semelhantes.
Um cordão de notas harmoniosas numa pauta
tocada a muitas mãos.

Bj

Olinda

Teresa Almeida disse...

Parecem murmúrios, mas dilaceram a alma. É uma página da história que deixa sons estridentes e - esta - é mais uma lágrima que o poeta sente e inscreve no espaço, indefinidamente.
Abraço-te na mesma emoção, querida Manuela.

Manuel Veiga disse...

Bom dia, Manuela

grato por me proporcionar conhecer a sua Poesia.
de alto nível. gostei mesmo.

e espero continuar a vê-la no meu blog
por mim, ficarei fiel leitor.

claro que vou adquirir o livro. uma boa causa.

beijo

Emília Pinto disse...

Os olhos enxergaram, os ouvidos escutaram, o coração sentiu e assim se foram escrevendo as memórias nas páginas da vida vivida ao longo do tempo; despertamos tantas vezes com estes ecos de vozes do nosso interior, sons variados decifraveis unicamente por nós mesmos e não os afastamos; algo nos impele a que novamente os ouçamos, os vejamos, agora com outros olhos, com outro sentir; são difusos, alguns confusos, mas continuam ali à espera que de novo os desenhemos nesta nossa página, mesmo que seja com outras cores; o tempo não apagou aquelas paisagens e nem apagará e talavez nem queiramos que se apaguem , por mais que um vazio se instale e uma lágrima caia humedecendo a nova página que hoje começou a ser escrita. Um "rosario" de sons, de olhares, de sentires foram construindo, desenhando, pintando esta tela que é o nosso ser e é necessário que os busquemos de vez em quando às prateleiras da memória para que, com maior ou menor ânimo, sejamos capazes de continuar a
desenhar ou simplesmente rabiscar a página de um novo dia. Não sabemos até quando, mas....enquanto estivermos a ver esta paisagem, deixemos que " os sons passeiem pelo espaço. ...indefinidamente " e não esqueçamos de ouvir as vozes do nosso inconsciente. E aqui, com a tua ajuda entrei no meu e escutei-o com atenção. Obrigada, querida Manuela, pelos sons que chegaram até aqui; não os decifrei, pois eles só a ti pertencem, mas também tenho os meus que tento traduzir, embora nem sempre consiga. Um grande abraço amigo.
Emilia

Zilani Célia disse...

OI MANUELA!
SENTIDOS QUE RECONHECEM A HISTÓRIA QUE SÓ A NÓS, PERTENCE.
MUITO LINDO AMIGA.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Cristina Cebola disse...

Emocionante poema! Gosto da musicalidade dos versos , da delicadeza com que as palavras se entrelaçam em histórias de vida...

beijinho

Elvira Carvalho disse...

A sua poesia, cada dia mais bela, cada dia mais sentida.
Acabei de enviar o comprovativo de compra do livro.
Um abraço

Mariazita disse...

Um belo poema que é como que um desfiar de lembranças, em que nenhum pormenor é esquecido.
Gostei imenso!
Grata pela partilha.

Obrigada pela carinhosa presença e parabéns à minha "CASA".

Continuação de boa semana.
Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

Jaime Portela disse...

Há sons que nos fazem passear no espaço...
Mais um excelente poema, parabéns.
Bom fim de semana, amiga Manuela.
Beijo.

Ana Freire disse...

Um poema maravilhoso, Manuela... revelando sensibilidade, talento e profundidade, no seu melhor...
É tão verdade... os sons frequentemente despertam em nós memórias... boas ou más...... e muitas vezes... dependendo das circunstâncias... não nos deixam esquece-las... e os cenários de guerra... são pródigos em sons... que sempre ficarão gravados na memória, de quem por eles passou...
Deixando um beijinho, e votos de um bom fim de semana...
Ana

© Piedade Araújo Sol disse...

memorizar os sons e escrever palavras delicadas é uma bênção....
beijinhos
:)

Mar Arável disse...

Palavras que são hino à solidariedade
Bj

© Piedade Araújo Sol disse...

Manela
deixo um beijinho
obrigada!
:)

Odete Ferreira disse...

Pelo poder da audição (e da visão), na mais íntima contemplação. recolhemos (recolhemo-nos em) vida.
Belíssimo (re)nascimento!
Bjo, Manuela :)